Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa prosseguem a luta em defesa da Empresa, contra o roubo nos salários

mini-capa29062012Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa realizaram hoje um plenário no Largo Camões, onde aprovaram novas formas de luta contra o roubo nos salários e contra a destruição da empresa. Por unanimidade, os trabalhadores aprovaram a Moção que pode ser lida aqui:

Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, reuniram em plenário, no largo de camões, junto ao Ministério da Economia e aprovaram a seguinte moção:

CT – STRUP – STTM – SINDEM – SITRA – FETESE

MOÇÃO

As políticas de austeridade resultantes da aplicação do memorando acordado entre a troika estrangeira e a nacional, estão a empurrar o país para o abismo, provocando um retrocesso social e mesmo civilizacional sem precedentes.

Este memorando torna o país refém dos grandes interesses financeiros, retirando dignidade ao trabalho, agravando as desigualdades e injustiças sociais.

Por força desta recessão económica, a situação dos Trabalhadores é hoje também de grande dificuldade.

Consequentemente e não fugindo desta política de destruição, o Metropolitano de Lisboa é palco de uma ofensiva sócio laboral sem precedentes, motivando os Trabalhadores para uma luta intensa mas determinante para a defesa do seu Acordo de Empresa bem como pela manutenção do serviço publico e social imprescindível á mobilidade da população da cidade.

Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, EPE reunidos em Plenário Geral no dia 29 de Junho de 2011, consideram que:

Por força dos orçamentos de estado de 2011 e 2012 enfrentam uma espiral recessiva com o roubo brutal nos seus salários, ao qual adicionaram a redução do pagamento do trabalho extraordinário, o congelamento das anuidades e, por último, um novo roubo; o dos subsídios de férias e natal;
Ao mesmo tempo que vêem o actual sistema de avaliação de desempenho, não ser aplicado no que concerne aos efeitos remuneratórios e congeladas as progressões na carreira, tem lugar a expansão da rede, que é aproveitada para incentivar os trabalhadores a inscreverem-se em concursos internos para ocupação de postos efectivos de trabalho, em exercício temporário de funções, sem pagamento da respectiva actividade, num total desrespeito pelo AE, tentando sob a capa do O.E., criar mais desigualdades e precarizar as relações de trabalho;
Embora se tenha assistido a um aumento excessivo no preço do nosso tarifário, que penalizou de forma insensível e significante os utentes, eliminaram-se títulos de transporte que contribuíam com receitas próprias para o ML.
Que a soma do dinheiro que é tirado aos trabalhadores, com o aumento da receita que obrigaram os utentes a pagar, não chega sequer para a Empresa pagar o aumento dos juros dos empréstimos que o ML contraiu para fazer as obras que os sucessivos governos utilizaram (e possivelmente vão continuar a utilizar) para ocultação do défice e com fins eleitoralistas;
O Metro, devido ao elevado profissionalismo de todos os trabalhadores, foi considerado pelo 6º ano consecutivo o melhor operador de transporte público, facto que o actual governo parece ignorar;
Querem acabar com a nossa Empresa, para certamente numa primeira fase, dar lugar a uma nova Empresa de Transportes de Lisboa, sem nunca até hoje se dignarem ouvir as ORT´s do ML, e por seu intermédio ter em conta as opiniões dos trabalhadores, que durante décadas a construíram prestando às populações como primordial objectivo um serviço de qualidade, o que o governo num só ano quer destruir;
É inaceitável que a pretexto de alterações do Código de Trabalho o CA venha a reforçar a sua ofensiva contra os trabalhadores e os seus direitos contratuais;
Apesar de reiterados pedidos de reunião o CA se tem manifestado autista, relativamente aos problemas, factor que muito tem contribuído para o agravamento dos conflitos e desvalorização da negociação, mesmo quando está em causa a imagem da empresa (Rock in Rio).

Os trabalhadores decidem:

Solicitar uma reunião ao Ministro da Economia e do Emprego, em tempo útil, com a finalidade de através do diálogo se encontrarem as melhores soluções.

Mantendo-se a intransigência e a ausência de respostas deste ministério, mandatar as ORT´s a intensificar a luta, desde logo com entrega de um pré-aviso ao tempo extraordinário a partir da 2ª quinzena de Julho até 31 de Agosto 2012.

Lisboa, 29 de Junho de 2012