46 - Rádio Portugal Livre

 

A 12 de Março de 1962 a RPL iniciou as suas emissões: Fala Rádio Portugal Livre! Aqui Rádio Portugal Livre! Emissora Portuguesa ao Serviço do Povo, da Democracia e da Independência Nacional! Era a voz do PCP e das forças democráticas que, durante 12 anos de actividade quotidiana, entrava em casa dos portugueses, levando-lhes notícias das lutas em curso, mobilizando-os para o combate, informando-os sobre o que no mundo se passava e que a censura fascista proibia.

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45 - A luta dos estudantes

A “crise académica de 1962” foi a primeira das grandes lutas dos estudantes que varreram a Europa na década de sessenta. Se o dia 24 de Março de 1962 se tornou em Portugal no "Dia do Estudante" é porque foi precisamente nesse dia que, com a violenta carga da polícia de choque sobre os milhares de estudantes que desfilavam no Campo Grande, se abriu um prolongado período de dura confrontação entre os estudantes e o governo que, durante meses, se estendeu a quase toda a Universidade. A luta dos estudantes sacudiu o país, abalou o regime.

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44 - Assassinato de José Dias Coelho

Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular.

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43 - Fuga de Caxias

A evasão foi minuciosa e longamente estudada e organizada sob a orientação do Partido. No dia marcado, 4 de Dezembro de 1961, às 10 horas, o militante António Tereso, conduzindo um pesado carro blindado – que Salazar utilizara e estava no Forte para reparação – despedaça os portões de acesso ao pátio do Forte de Caxias e desaparece perseguido pelos tiros da GNR. Nele seguiam, dirigentes e quadros destacados do Partido: Francisco Miguel, José Magro, Guilherme da Costa Carvalho, António Gervásio, Domingos Abrantes, Ilídio Esteves.

 

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42 - Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP

 

Em Março de 1961, o Comité Central elege Álvaro Cunhal secretário-geral do Partido. Em Março de 1964, o CC debate e aprova o relatório Rumo à Vitória, de Álvaro Cunhal, que constitui um contributo decisivo para a preparação do Programa do PCP que viria a ser aprovado no VI Congresso.

 

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41 - Um grande debate ideológico

 Nos anos de 1960-1961, desenvolve-se no Partido uma profunda discussão sobre a clarificação da via para o derrubamento do fascismo, para além de um conjunto de questões como a defesa do Partido, a política de quadros, o trabalho de organização e de direcção, e problemas fundamentais de táctica e orientação do Partido. Este trabalho culmina na reunião do Comité Central de Março de 1961 – na qual o CC faz uma profunda análise ao seu trabalho de direcção nos anos anteriores e submete a uma severa crítica o desvio de direita que se verificara em vários campos da sua actuação no período de 1957-1959. É traçada uma nova orientação, define-se a via para o derrubamento do fascismo e para a conquista das liberdades políticas.


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40 - Os movimentos de libertação das colónias

 

4 de Fevereiro de 1961: inicia-se a insurreição do povo de Angola, sob a direcção do MPLA. Dezembro de 1962: Salazar é derrotado em Goa, Damão e Diu. Janeiro de 1963: o PAIGC inicia a luta armada na Guiné. Setembro de 1964: a FRELIMO inicia a luta armada em Moçambique. As guerras coloniais desencadeiam uma grande vaga de lutas no país. Os soldados protestam contra o embarque para África. Há manifestações e lutas nos cais de embarque.


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39 - Fuga de Peniche

Foi uma das mais espectaculares evasões de toda a história do fascismo. Quer por se tratar de um numeroso grupo de dirigentes e quadros do PCP – Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Carlos Costa, Francisco Miguel, Pedro Soares, Rogério de Carvalho, Guilherme Carvalho, José Carlos, Francisco Martins Rodrigues – quer porque se tratou da fuga de um dos mais seguros cárceres fascistas. A fuga de Peniche – saudada com imensa alegria pelo povo português – foi uma grande vitória do Partido que, recuperando um elevado número de valiosos dirigentes, desencadearia e dirigiria nos anos seguintes algumas das mais importantes lutas contra a ditadura. Da fuga de Peniche viria a resultar, ainda, um sério reforço do trabalho de direcção do Partido.

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38 - O protesto contra a burla eleitoral

A farsa eleitoral desencadeou uma poderosa vaga de protestos, encabeçada pela classe operária. Na jornada nacional de protesto contra a burla eleitoral, participaram centenas de milhares de trabalhadores. A repressão foi violenta. Milhares de antifascistas e militantes comunistas foram presos. Em Montemor-o-Novo, a GNR, a mando de um agrário e presidente da Câmara, assassina, a tiro, o militante comunista José Adelino dos Santos. O militante comunista Raul Alves, operário de Vila Franca de Xira, é morto pela PIDE, que o lança do 3.º andar da sua sede em Lisboa.

 

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37 - Eleições Presidenciais de 1958

 Na campanha eleitoral de 1958, para a Presidência da República, o fascismo não consegue impedir a concorrência da oposição. Apesar das proibições, das violências, das prisões, das cargas policiais, de que resultaram inúmeros feridos, nos 28 dias de campanha, por toda a parte, de norte a sul do País, realizaram-se grandiosas manifestações de rua de apoio aos dois candidatos da Oposição, o general Humberto Delgado e o democrata Arlindo Vicente. Muitas centenas de milhares de pessoas participaram, assim, numa das maiores batalhas travadas contra a ditadura fascista, reclamando as liberdades democráticas, a libertação dos presos políticos, a demissão do governo de Salazar. Com o chamado "Pacto de Cacilhas" Arlindo Vicente desistiu a favor de Humberto Delgado, único candidato da oposição a ir a votos e que mais tarde foi assassinado pela PIDE.


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36 - V Congresso do PCP

 

O V Congresso realizou-se de 8 a 15 de Setembro de 1957. Aprovou os primeiros Estatutos e Programa do Partido. Debateu o problema colonial, pronunciando-se inequivocamente pelo reconhecimento do direito dos povos das colónias à imediata independência. Na decorrência do fim da guerra e do restabelecimento, em 1947, das relações do PCP com o movimento comunista internacional, este é o primeiro Congresso do PCP que recebe saudações de outros partidos comunistas.

 

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35 - Ilegalização do MUD Juvenil

Em 1955, a PIDE prende mais de uma centena de jovens do MUD Juvenil – entre os quais o futuro Presidente do MPLA, Agostinho Neto. Dois anos e meio mais tarde serão condenados no processo que ilegaliza este Movimento.

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34 - Catarina Eufémia

19 de Maio de 1954. Os operários agrícolas de Baleizão estão em greve, reivindicando melhores jornas para matar a fome. A unidade é total, ninguém trabalha na terra baleizoeira. Um agrário contrata um rancho em Penedo Gordo e mal chega a Baleizão a notícia de que o rancho começou a trabalhar, todos se dirigem em massa para a seara. O entendimento foi fácil e os de Penedo Gordo largam o trabalho. O agrário chama a GNR que, com a ameaça das armas, obriga o rancho a retomar o trabalho. Os trabalhadores de Baleizão voltam à seara para falar de novo aos seus companheiros de trabalho. A GNR impede-os. Conseguem impor que uma delegação de mulheres vá falar com o rancho. Catarina integra essa delegação. Um tenente da GNR – Carrajola – interpela a valente camponesa apontando-lhe uma pistola-metralhadora. E dispara. Catarina era militante comunista. Tinha 29 anos. Deixou três filhos órfãos. O quarto, que trazia no ventre, foi assassinado com ela.

 

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33 - A luta pela paz

No início dos anos 50, a luta pela paz é uma das mais importantes frentes da luta antifascista. É criada a Comissão Nacional para a Defesa da Paz que lança a palavra de ordem: «100 mil assinaturas para o apelo de Estocolmo». Em 1952 travam-se importantes lutas contra o Pacto do Atlântico e pela assinatura de um Pacto de Paz. Em 1953, os professores Rui Luís Gomes e Manuel Valadares e a escritora Maria Lamas são eleitos para o Conselho Mundial da Paz.

 

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32 - Assassinados pelo fascismo

 O fascismo matou com a tortura em brutais interrogatórios nas cadeias; com trabalhos forçados, castigos, falta de assistência perante doenças mortíferas; assassinou traiçoeiramente a tiro em estradas desertas ou nas casas de habitação de antifascistas; ceifou vidas disparando contra trabalhadores em luta. Entre as muitas vítimas, estão: António Ferreira Soares, Francisco Ferreira Marquês, Germano Vidigal, José Moreira. Muitos comunistas morreram nas cadeias ou depois de libertados após longos anos de cárcere e outros por não poderem tratar-se, porque obrigados à clandestinidade – entre estes, Soeiro Pereira Gomes, José Gregório, Manuel Rodrigues da Silva.


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