A Ajuda precisa de habitação acessível e não de mais habitação de luxo!

 

Terrenos da ajuda

O PCP foi o único partido que votou contra a proposta de delimitação da Unidade de Execução da Ajuda, na Câmara Municipal de Lisboa, em Novembro passado, por entender que não é a solução adequada para a freguesia e a cidade. PS e PSD votaram a favor e CDS e Bloco de Esquerda abstiveram-se.

 

A proposta do Partido Socialista para o terreno da Rua da Bica do Marquês até à Alameda dos Pinheiros pretende:

 

- construir 260 apartamentos de luxo, num condomínio com o seu próprio jardim privativo;

- criar um jardim público na parte mais inclinada da encosta, de difícil acesso e usufruto para quem tem menos mobilidade;

- demolir os edifícios ao lado da Voz do Operário até ao fim do quarteirão bem como o edifício da Academia Recreativa da Ajuda, despejando quem lá está, e construir prédios ao longo da Bica do Marquês com 5 pisos de altura;

 

Apesar de ser um espaço particularmente sensível da freguesia, o projecto apresentado não contou com as opiniões de moradores, comerciantes, colectividades, utentes de equipamentos, especialistas em ambiente ou património, concretizando maioritariamente os objectivos do fundo imobiliário privado proprietário de parte dos terrenos. Mesmo a consulta pública, que se seguiu à sua apresentação, foi curta e limitada, quando vivemos um período de epidemia que exigiria uma discussão mais alargada por meios online, presenciais e mistos.

 

Esta Unidade de Execução quer construir mais um condomínio privado, inacessível para a maioria dos ajudenses e que pouco contribui para a dinamização da vida da freguesia, demolindo instalações de associações e casas de habitação, levantando uma barreira de betão na Bica do Marquês que transformará a vivência dos actuais moradores daquela zona e não garantindo o que efectivamente é preciso na Ajuda: habitação a custos acessíveis e espaços verdes para todos.

 

Mais do que condomínios de luxo que só vão promover a continuada subida de preços das casas na Ajuda, com muitos lucros para o promotor privado mas sem contrapartidas para a cidade, o Executivo do Partido Socialista, que tem entendimento com o Bloco de Esquerda para a governação na Câmara de Lisboa deveria empenhar-se em encontrar soluções, urbanísticas e sociais, para os reais problemas da freguesia. Para o PCP, aquela área precisa de uma abordagem de desenvolvimento global e integrada, que vá ao encontro das necessidades da freguesia e da cidade e ouvindo a sua população.