Apresentação da lista de Campo de Ourique: "Não pode ser apenas uma freguesia onde se mora, mas um lugar onde se vive"

 
Apresentação campo de ouriqueFoi em pleno Jardim da Parada, no centro da Freguesia de Campo de Ourique, que a CDU juntou activistas e militantes para a apresentação da lista à Assembleia de Freguesia.
 
Marta Corado, 26 anos bancária, cabeça de lista da CDU à Junta de Freguesia, lembrou de imediato que “há mais Campo de Ourique do que este que aqui vemos: há a antiga Santa Isabel, há Maria Pia, há Sete Moinhos, há Quinta do Loureiro, há Praceta Sul. Campo de Ourique não é
só Jardim da Parada e Ferreira Borges. É uma freguesia com graves e grandes discrepâncias sociais e económicas”, disse.
 
Começando por elogiar o trabalho do eleito da CDU na Junta que detém o pelouro da Cultura e Colectividades, a candidata explicou que esta lista quer dar continuidade ao trabalho dos últimos quatro anos, juntando activistas, homens, mulheres e jovens “que convergem em torno do projecto autárquico da CDU” para Campo de Ourique: “Podem ter a certeza de que este colectivo se colocará sempre ao lado das populações.
 
Trabalho, honestidade e competência, é este o nosso lema.
 
Assumimo-lo com o orgulho, confiança, e com o principio de não sermos beneficiados ou prejudicados pelo exercício das nossas funções.”
 
O direito à habitação, a importância da mobilidade numa zona da cidade onde o Metro ainda não chega, a importância do comércio local e o reforço dos apoios às colectividades são alguns dos eixos principais do programa da CDU para Campo de Ourique. “O direito à habitação condigna é uma miragem para muitas famílias. Olhemos mais uma vez para a Quinta do Loureiro ou Praceta Sul onde podemos verificar as insuficiências que lá existem. E basta-nos andar pelas ruas da freguesia, como na Rua de Campo de Ourique e espreitar para os pátios e logradouros para ver que ainda há muito a fazer em matéria de habitação”, explicou Marta Corado.
 
A Freguesia não é alheia aos fenómenos da especulação imobiliária que se deram um pouco por toda a cidade. “Diziam-me há uns dias que Campo de Ourique está na moda: pois bem, essa moda trouxe-nos vários problemas que merecem ser realçados. Primeiramente, a especulação imobiliária, rendas inacessíveis, o estrangulamento do comércio local, a proliferação de grandes negócios de multinacionais e o aprofundamento do fosso social na freguesia”, disse a candidata.
 
Campo de Ourique, diz, não pode ser apenas “um sítio onde se mora, tem de ser uma freguesia onde se vive”. “Não somos anti-progresso, não somos anti-turistas nem anti-modernização”, diz. Por isso, a CDU quer lutar por uma “freguesia onde as discrepâncias sociais não sejam aceitáveis”, por uma freguesia onde “se possa viver, e onde se possa trabalhar, desfrutar, descansar, ler, brincar, comer e comprar”, e onde as crianças “possam ir a escola e praticar desporto em segurança”.
 
Lembrando o trabalho e a intervenção da CDU para que se conquistasse, em 2018, o passe social intermodal, fazendo os transportes mais barato em toda a Área Metropolitana de Lisboa, Marta Corado realçou que em Campo de Ourique não basta que o autocarro seja mais barato: “É necessário melhorar a frequência dos autocarros e os eléctricos; é necessária a cobertura que não deixem os bairros isolados e é urgente a expansão da linha de metro à zona ocidental da cidade e a Campo de Ourique”.
 
O comércio local é um pilar fundamental de um dos bairros mais dinâmicos de Lisboa: “Uma freguesia viva não pode passar sem comércio local, um dos pilares de uma freguesia dinâmica, com ruas movimentadas, onde encontramos os vizinhos e onde socializamos, onde apoiamos o tecido económico local e os pequenos e médios empresários”, disse. E colectividades e o associativismo também são fundamentais para essa dinâmica: “O trabalho das colectividades deve ser devidamente valorizado, pelo papel que têm na promoção do desporto, na integração dos jovens, na coesão da comunidade, na manutenção de tradições e no fomento da cultura. As colectividades devem ser uma preocupação maior da Junta.”
 
A candidata lançou um desafio aos ouvintes: fazer desta proposta a base de discussão para transformar Campo de Ourique. “Levem-na convosco, nas conversas em casa, com os amigos, no café, no jardim, na escola, no trabalho, e na rua. Uma pequena conversa pode esclarecer, fazer mudar uma opinião, e tantas vezes ajudar a vencer o preconceito”, rematou.
 
Na sua intervenção, o candidato da CDU à Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira, começou por sublinhar que Campo de Ourique é muito mais do que o Jardim da Parada: “Poderíamos dizer que Campo de Ourique é um bocadinho o espelho do que Lisboa se tornou, a cidade ela própria percorrida por essas desigualdades e essas contradições e contrastes”, disse.
 
João Ferreira lembrou como ao longo das últimas décadas Lisboa perdeu muita gente, “muitos que aqui nasceram, muitos que aqui vieram parar por alguma razão, normalmente para estudar ou trabalhar, gente que aqui gostava de viver mas deixou ao longo dos últimos anos de ter condições para o fazer”. Campo de Ourique sentiu a “voragem da especulação imobiliária que atirou os preços da habitação para níveis que os tornam inalcançáveis para uma grande parte daqueles que aqui vivem e trabalham”, disse.
 
“O direito à habitação foi de facto posto em causa em Lisboa ao longo destes anos. E se é certo que nestas alturas, em campanha eleitoral, não há quem não fale nas questões da habitação, a verdade é que depois nos quatro anos que se seguem, parece que todos se esquecem, sobretudo aqueles que têm responsabilidade de governo da cidade”, lembrou o candidato. João Ferreira destacou o programa PACA, de arrendamentos acessíveis, proposto pela CDU, que acabou por ser aprovado pela Câmara de Lisboa. “Se hoje algumas coisas se foram fazendo, isso é inseparável do que foi a intervenção dos eleitos da CDU”, explicou.
 
Com orçamentos acima de mil milhões de euros, Lisboa está hoje muito longe do que era possível e necessário fazer-se.
 
O caso da expansão do Metro é evidente: “O metro hoje podia estar a chegar a muitas zonas onde ele não chega, como esta onde estamos, se tivesse sido dada prioridade da expansão da Linha Vermelha até à Linha Ocidental que não tem metro até hoje, passando pelas Amoreiras, Campo de Ourique, Alcântara e toda a zona ocidental.” Este é um investimento há muito prometido e “que tem sido adiado”, explica João Ferreira, “por causa de uma Linha Circular que vai sugar milhões de euros de recursos públicos e que serve para fazer mais metro onde hoje já o temos na cidade, na zona central, e para servir interesses ligados ao turismo ou especulação imobiliária, prescindindo de levar o metro às zonas onde ele não existe, como Campo de Ourique”.
 
A questão dos transportes é premente para este bairro. Na meia hora que decorreu a apresentação da lista da CDU, vários aviões passaram por cima do Jardim da Parada. “Isto não é ainda nada, não é o que tínhamos há dois anos antes da pandemia, que chegou aos 700 aviões por dia, 20 mil aviões durante o mês de Julho de 2019”, disse João Ferreira.
 
O crescimento da Portela dentro da cidade “não acontece em nenhuma outra capital europeia”, e é “uma aberração” para onde nos “encaminharam quer o PS quer o PSD”. É preciso “de forma faseada, mas definitiva, libertar a cidade do fardo do aeroporto” dentro da cidade.