Cascais não pode ser só turismo

Numa nota à Comunicação Social, convocada para uma conferência de imprensa que se realizou junto das instalações da Euronadel, em Matocheirinhos, a CDU de Cascais denuncia o agravamento da situação social, aumento do desemprego e o desmantelamento do aparelho produtivo, no concelho de Cascais.

Cascais não pode ser só turismo.

Cascais está mais pobre, em resultado de inúmeros anos de politicas de direita, perpetradas pelo PS ou PSD, com ou sem o CDS, temos assistido ao continuo desmantelar do Aparelho Produtivo Nacional. Também com graves consequências no concelho de Cascais.

O agravamento da situação social e o aumento do desemprego são consequências directas de politicas erradas, deixando as ‘costas quentes’ ao grande capital parasitário, para poder exercer as suas arbitrariedades da maneira que mais lhe convier, procurando sempre o lucro fácil e rápido, na maioria das vezes à custa dos trabalhadores.
Perante esta situação, Governo PS e a gestão PSD/CDS limpam as mãos como Pilatos, dizendo que nada podem fazer, que são empresas privadas, que é o mercado a funcionar, que são atribuições do poder central, neste ultimo caso a maioria PSD/CDS na CMC nem sequer teve uma palavra de solidariedade para com os trabalhadores em luta pela defesa dos postos de trabalho. Escamoteando as suas responsabilidades perante a actual situação do país.
Vejamos 3 casos concretos:

- Euronadel, Industria de Agulhas – após um longo período de deslocalizaçao progressiva da produção, para o qual os trabalhadores e a CDU vinham alertando há bastante tempo, com uma gradual redução de trabalhadores, com a deslocalizaçao ao longo do tempo de varias linhas de produção para a República Checa, culminando no anuncio do despedimento colectivo dos 182 trabalhadores que se mantinham na empresa, encerrando a produção. Acrescentando a este cenário os subsídios atribuídos pelo Estado à empresa para aumento da produção e do número de trabalhadores.

- Vitrohm Portuguesa – impôs ilegalmente aos trabalhadores um Lay-Off de um dia por semana, por um período de cerca de 4 meses, nunca provando quer ao Sindicato quer ao Ministério do Trabalho a necessidade real de usar o Lay-Off. Obviamente que com menos um dia de trabalho por semana veio a redução de 20% no salário. Importa realçar que em pleno período de Lay-Off, a administração tentou impor um aumento desmesurado dos ritmos de trabalho, querendo que os operários produzissem em apenas 4 dias o que deveria ser feito em 5, havendo elementos da chefia que chegaram a ir para a linha de produção para tentar cumprir os prazos de entrega das encomendas, também houve trabalhadores que foram aliciados a irem trabalhar aos sábados. Assim se prova que o recurso ao Lay-Off por parte da administração não foi mais do que uma forma de aumentar os seus lucros

- Legrand – a empresa iniciou um processo de intenção de despedimento de 77 trabalhadores, justificando com a falta de encomendas e baixa das exportações, depois de um período de grande indecisão e após ter prescindido de todos os trabalhadores contratados, abrindo caminho a um futuro de grandes duvidas em relação ao futuro da empresa. Importa referir que a empresa teve e continua a ter linhas de produção encerradas e essa produção entregue a empresas subcontratadas. Esta é mais uma empresa que recebeu fundos do Estado para a manutenção de 431 postos de trabalho até ao ano de 2011, esta intenção de despedimento colectivo indo em frente faz o número de postos de trabalho baixar do definido no acordo com o Governo.


Através destes 3 simples exemplos e que não traduzem toda a realidade de empresas, nomeadamente micro, pequenas e médias empresas que estão a encerrar no concelho, verifica-se uma completa ausência de medidas do governo PS na defesa do Aparelho Produtivo Nacional, assim como uma completa indiferença da maioria PSD/CDS no concelho de cascais perante o sucessivo encerramento de empresas e o crescente aumento do desemprego.


A CDU, os seus eleitos e activistas renovam o seu compromisso de tudo continuar a fazer em defesa do aparelho produtivo do concelho assim como dos postos de trabalho. Exigindo do poder central a tomada de medidas que travem a ofensiva do grande patronato, contra os interesses dos trabalhadores da economia nacional e do pais. 


Cascais, 31 de Julho de 09