O encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos é inaceitável

CGD-CorteVeiculado por diversos órgãos de comunicação social e comunicado pela administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), está em curso um plano de encerramentos de 70 balcões da CGD, muitos deles até ao final do mês de Junho, entre os quais vários na cidade de Lisboa, a saber na Ajuda, Avenida Estados Unidos da América, Instituto Superior Técnico, ISCTE, Rua Saraiva Carvalho em Campo de Ourique, Chiado, Colombo, Gare do Oriente, Praça do Comércio, Santa Clara e Restelo.

O PCP na cidade de Lisboa considera inaceitável a política de encerramento de balcões da CGD e continuará a estar com a população de Lisboa, nomeadamente nas zonas mais afectadas, e com os trabalhadores da CGD na luta contra o encerramento de balcões e pela defesa dos seus postos de trabalho.

A concretizar-se esta nova vaga de encerramentos, ficará afetada a população, nomeadamente na cidade de Lisboa, vendo diminuído o serviço público de proximidade prestado pelo banco público português. É ainda inaceitável para os trabalhadores que, vendo no horizonte a extinção dos postos de trabalho, vivem a ameaça da redução de pessoal (que no ano de 2017 se traduziu em 547 trabalhadores) com o registo no primeiro trimestre deste ano de uma redução em mais 250 trabalhadores.

A estratégia de crescimento de lucros na CGD está a passar também pela redução de trabalhadores e o encerramento de balcões que são fundamentais para as populações, principalmente em zonas da cidade com grande concentração de pessoas idosas, com dificuldades de locomoção e sem uma rede de transportes públicos satisfatória.

Com esta intenção da Administração da CGD de encerrar balcões na cidade e as opções da Câmara Municipal e do Governo PS para os transportes públicos, nomeadamente na Carris e no Metro, que continuam a deixar populações da cidade de Lisboa isoladas, obrigam-se agora estas mesmas populações a deslocarem-se muitas vezes a freguesias vizinhas para a realização das mínimas operações bancárias mensais.

A CGD é uma instituição bancária pública que deverá estar ao serviço do Povo e do País, tendo o governo do PS a obrigação de levar a cabo uma gestão da mesma identificada com o interesse público e no provimento das necessidades das populações.

O encerramento de agências da CGD em Lisboa materializa também a entrega de uma boa parte da actividade bancária à banca privada que nos locais de maior carência se queira implantar.

As sucessivas tentativas de encerramento de serviços públicos, como aconteceu também em Lisboa com os CTT e as esquadras da PSP, e agora com a CGD, constituem um ataque aos direitos das populações e um forte contributo para a sua expulsão dos bairros tradicionais de Lisboa, deixando-os cada vez mais envelhecidos e descaracterizados. É fundamental travar esta nova vaga de encerramentos, exigindo que o dinheiro que existe para resolver os problemas de outras instituições bancárias privadas seja canalizado para que a CGD concretize um dos seus objectivos primordiais: servir as populações.

Só a luta pode travar este processo e, nesse sentido, o PCP apela para que a população de Lisboa não deixe de se indignar e se mobilize em defesa dos seus direitos e do serviço público bancário na nossa cidade.

O Executivo da Direcção da Cidade de Lisboa do PCP

Lisboa, 19 de Junho de 2018