PCP recorda assassinatos de Montemor-o-Novo

27 anos depois
PCP recorda assassinatos de Montemor-o-Novo


 
O PCP está a assinalar o assassinato de dois operários agrícolas pela GNR, em Setembro de 1979. Os dois trabalhadores defendiam a Reforma Agrária, que hoje volta a estar na ordem do dia.

Os dois trabalhadores, Casquinha e Caravela, eram membros de uma Unidade Colectiva de Produção do Escoural e realizavam uma acção de solidariedade com os trabalhadores da cooperativa Bento Gonçalves, em Montemor-o-Novo, quando foram assassinados.

Para além de uma romagem promovida pela Comissão Concelhia de Montemor-o-Novo no passado dia 27 ao local onde se deu o crime, o PCP vai promover, em Novembro, um debate sobre a Reforma Agrária. Segundo João Pauzinho, responsável pela Organização Regional de Évora do PCP, o debate não se limitará a lembrar a Reforma Agrária e o assassinato dos dois operários, mas será «voltado para o futuro». Até porque, sustenta, a questão do uso e posse da terra é um dos principais problemas do Alentejo, actualmente.

Na redacção do Avante! recebemos algumas notas, um texto da autoria do antigo dirigente comunista António Gervásio, sobre os acontecimentos, que acompanhou de perto:

«Fez 27 anos, em 27 de Setembro, que na herdade Vale do Nobre, pertencente à UCP Bento Gonçalves, foram barbaramente assassinados a tiro de metralhadora pela GNR, António Maria Casquinha, de 17 anos de idade, e José Geraldo (Caravela), ambos da UCP Joaquim Salvador do Pomar, no Escoural.

«Esta operação criminosa, durante o governo de Maria de Lurdes Pintasilgo, tem lugar quando uma força da GNR – comandada pelos capitães Matias, Faria e sargento Maximino, conhecidos pela sua fúria contra a Reforma Agrária e os seus trabalhadores – envolvida com agrários e funcionários do Ministério da Agricultura e Pescas, como Avelino Delicado Couceiro Braga e Cortes Correia, procurava roubar um rebanho de vacas da UCP Bento Gonçalves. Nesta luta em defesa do rebanho de vacas estavam envolvidos dezenas de trabalhadores de outras UCP que foram em solidariedade com a UCP Bento Gonçalves.

«As forças repressivas, raivosas, como não conseguiram roubar as vacas, abriram fogo sobre os trabalhadores. Caíram mortos Casquinha e “Caravela”! Vários outros ficaram feridos.

Estes odiosos assassinatos custaram uma profunda revolta e dor, não só no concelho de Montemor-o-Novo como em todo o País. O funeral destes dois trabalhadores envolveu milhares de pessoas. Os responsáveis nunca foram tornados públicos nem julgados!»

Artigo publicado na Edição Nº1715  do Avante!