Contra a Privatização das Linhas da CP: Utentes e Trabalhadores, a mesma luta!

mini-capa_priv_ci.jpgNo passado dia 28 de Abril realizou-se uma Conferência de Imprensa conjunta das Comissões de Utentes das Linhas de Sintra, Azambuja e Cascais, da Comissão de Trabalhadores da CP e do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, onde apresentaram as razões que unem utentes e trabalhadores na luta contra a privatização das Linhas Suburbanas de Lisboa (medida que o Governo incluiu no PEC) e apresentaram ainda as acções conjuntas que vão desenvolver para derrotar este objectivo. Em Ler Mais podem encontrar a Nota de Imprensa divulgada na ocasião.
PRIVATIZAÇÃO DAS LINHAS SUBURBANAS DE LISBOA
UM BOM NEGÓCIO PARA UNS POUCOS,
À CUSTA DO SACRIFÍCIO DE TODOS

A privatização das Linhas Suburbanas de Lisboa (Sintra, Cascais, Azambuja e Sado) é um negócio que tem sido anunciado, com pequenas diferenças de pormenor, por alguns presidentes do Conselho de Administração da CP, quase sempre na vigência de governos do PS mas percorrendo também os governos do PSD e do CDS-PP.
 
A título de exemplo, lembremos a entrevista dada à Revista Visão (07.10.99) pelo Eng. Crisóstomo Teixeira, então presidente do Conselho de Gerência da CP, em que este traçava uma estratégia privatizadora, que designava eufemisticamente de liberalizadora, em que preconizava a entrega das referidas linhas ferroviárias a privados, a quem o Estado passaria a pagar chorudas indemnizações compensatórias, e o aumento dos preços dos títulos de transportes em «10% o que não assustaria os clientes».
 
A privatização destas linhas ferroviárias não foi para a frente por dois motivos fundamentais:

1.Pela denúncia pública encetada por Sindicatos, Comissões de Trabalhadores e pelas Comissões de Utentes das respectivas Linhas;
 
2.E pelo facto de, especialmente na Linha de Sintra, ainda decorrerem obras de modernização que envolvem quantias elevadas e, como tal, as empresas que desejam abocanhá-las querem fazê-lo com chave na mão, explorando-as de imediato para rapidamente aferrolharem chorudos lucros.

A denúncia levada a cabo pelas organizações interessadas na defesa do serviço público de transportes colectivos incide no facto das privatizações privilegiarem o lucro em detrimento da qualidade do serviço prestado, levarem ao aumento do preço dos títulos de transporte, o que teria implicações no orçamento familiar dos utentes (que já gastam 14% em transportes), e implicaria o despedimento de trabalhadores ferroviários, o que ainda seria mais um factor de degradação deste serviço, visto que há mais de uma década já se denunciava que a CP era das empresas europeias que tinha menos trabalhadores por quilómetro de via.
 
Esta privatização, há tanto tempo anunciada e preparada, é agora incluída no quadro do PEC e de uma pretensa resposta à crise, apenas por razões de propaganda e intoxicação. Ela corresponde a uma opção antiga, irmã das opções políticas que geraram a crise económica e social e cujo prosseguimento a intensificará.
 
No nosso país as privatizações dos transportes rodoviários nada de bom trouxeram para os seus utentes, tendo as empresas que ocuparam a extinta Rodoviária Nacional contribuído de forma inaceitável para um isolamento cada vez maior das populações, de tal forma que o seu direito à mobilidade tem sido posto em causa. Por outro lado o preço que os utentes da FERTAGUS pagam pelo mesmo número de quilómetros é, sensivelmente, o dobro do que se paga nas Linhas Suburbanas de Lisboa da CP.
 
Das experiências conhecidas no espaço da Comunidade Europeia, referiremos o da privatização das linhas suburbanas de Londres que, tendo em vista o lucro, não investiam na indispensável conservação e modernização das mesmas, o que provocou inúmeros acidentes com muitas dezenas de mortes. O seu porta-voz teve a ousadia de afirmar que esta empresa não estava vocacionada para a necessária manutenção destas linhas. Pudera, o principal objectivo era aumentar os lucros sem ter em conta a preciosa vida dos utentes londrinos. A situação foi tão complexa que levou o Governo inglês a renacionalizar estas linhas.
 
Estes dados deverão ser um factor mobilizador dos utentes da Linhas de Sintra, de Cascais e da Azambuja que, na nossa perspectiva, se deverá concretizar através do apoio às acções que as organizações subscritoras deste documento vão realizar, tais como:
Uma petição à Assembleia da República, exigindo que esta impeça a concretização da anunciada intenção do Governo de entregar as linhas suburbanas da CP à exploração privada. 
 
Uma campanha de esclarecimento e mobilização dos utentes, que culminará no dia 18 ou 19 ou 20 de Maio com uma acção no Rossio
                                                                         

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários
A Comissão de Trabalhadores da CP
A Comissão de Utentes da Linha de Sintra
A Comissão de Utentes da Linha de Cascais
A Comissão de Utentes da Linha da Azambuja