Pela preservação da memória da República e da Resistência Anti-Fascista pelo Município de Lisboa

 

BMRRA Memória de um povo deve ser preservada como lembrança importante de factos e vivências que não podem e não devem ser descartadas. Acervos e espólios consolidam o nosso passado e a memória histórica à formação identitária de um povo.

A implantação da República Portuguesa foi um marco de viragem na história de Portugal. Período de grandes conturbações, desde a 1ª República, passando pela Nova República, a Ditadura Militar

e os 48 anos do fascismo, deu origem a uma nova movimentação no seio do povo português, a RESISTÊNCIA.

A Biblioteca-Museu República e Resistência (BMRR) é uma das guardiãs destas memórias. Criada em 1993, no edifício Grandella, em Benfica, como espaço de registo e memória da história portuguesa do século XX, foi lugar de exposições, colóquios, conferências e albergava também o acervo bibliográfico que viria a ser transferido para as novas instalações, no Bairro do Rego, inauguradas em 2001.

O município de Lisboa tem a responsabilidade de encontrar formas de valorizar este património investindo no equipamento, divulgando a sua existência e iniciativas, dinamizando as suas actividades e atraindo novos públicos. A BMRR, apesar da falta de investimento e divulgação que a temática e o espólio exigiriam, tem conseguido ao longo do tempo dar resposta tanto a nível local como nacional e, mesmo, internacional.

Desde 2016, a vereação tem conhecimento das necessidades urgentes de intervenção que não foram realizadas até ao momento, dificultando, de forma determinante, a realização de iniciativas e acções de dinamização da BMRR.

Com as notícias do possível encerramento da BMRR, os eleitos do PCP entenderam apresentar na Assembleia Municipal de Lisboa uma Recomendação à CML sobre este equipamento. Ontem, essa Recomendação foi discutida e votada tendo sido aprovados por maioria os pontos relativos à informação sobre os critérios que presidiram à decisão de encerramento da BMRR por parte da CML, sobre as reparações necessárias ao funcionamento, sobre a não desagregação do acervo entre materiais da República e da resistência anti-fascista, sobre o envolvimento dos trabalhadores em qualquer processo de alteração, o ponto de situação sobre o espólio do Espaço Grandella (encerrado em 2014) e a construção de um plano de preservação, valorização e divulgação da memória e de um espólio sobre o passado republicano e da resistência anti-fascista.

Lamentavelmente, foi rejeitada com os votos contra dos deputados municipais do PS, PSD e 6 independentes, a proposta de manter a BMRR no mesmo espaço, com o mesmo nome e âmbito, dotando-a de meios logísticos que permitam uma maior dinamização daquele espaço. A rejeição desta proposta deixa claro que está em risco a localização daquele equipamento, conforme o PCP denunciou anteriormente. A posição inicial da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, de encerrar a BMRR apenas para fazer obras e reabri-la com a sua função original foi alterada, posteriormente, deixando em aberto o futuro deste equipamento. O resultado desta votação vem confirmar que o Partido Socialista tem outras intenções para aquele espaço.

O PCP continuará a intervir para que a BMRR se mantenha no mesmo espaço, com o mesmo nome e âmbito, e para que a CML a dote de meios logísticos que permitam uma maior dinamização daquele espaço.

 

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